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terça-feira, agosto 09, 2011

Câncer do Colo do Útero



Vamos discutir mais um assunto de saúde pública, o CA do colo do útero.
O CA do colo do útero tem evolução lenta, dentre todos os tipos de câncer, é o que apresenta maior potencial de prevenção e cura, quando diagnosticado precocemente e pode ser tratado em nível ambulatorial.
O pico de incidência situa-se entre os 40 - 60 anos de idade e a detecção precoce é feita por meio do exame citopatológico (Papanicolau).

Fatores de risco:
- idade precoce da primeira relação sexual
- tabagismo
- multiparidade
- múltiplos parceiros
- história de DST
- infecção pelo HPV
- alimentação deficiente em vitamina C, beta caroteno e flato
- uso de anticoncepcionais orais

Amostra do exame:
A amostra pode ser classificada em satisfatória, insatisfatória e satisfatória, mas limitada.

Amostra satisfatória mas limitada:
- falta de informações clínicas pertinentes
- ausência ou escassez de células endocervicais ou metaplásicas representativas da junção escamo-colunar (JEC) ou da zona de transformação
- esfregaço purulento, obscurecido por sangue, áreas espessas, dessecamento que impeçam a interpretação de aproximadamente 50 - 70% das células epiteliais

Amostra insatisfatória:
- ausência de identificação na lâmina ou na requisição
- lâmina quebrada ou com material mal fixado
- células escamosas bem preservadas cobrindo menos de 10% da superfície da lâmina
- obscurecimento por sangue, inflamação, áreas espessas, má fixação, dessecamento que impeçam  interpretação de mais de 75% das células epiteliais

NIC
Neoplasia Intraepitelial Cervical, não é câncer e sim uma lesão precursora, depende de sua gravidade, poderá ou não evoluir para câncer.

NIC I
- alteração que acomete as camadas mais basais do epitélio estratificado do colo do útero
- displasia leve
- 80% apresentam regressão espontânea

NIC II
- existência de desarranjo em 3/4 da espessura do epitélio, preservando as camadas mais superficiais
- displasia moderada

NIC III
- existência de desarranjo e todas as camadas do epitélio
- displasia acentuada e carcinoma in situ
- sem invasão do tecido subjacente


Em resultados compatíveis com NIC I, repete-se o exame após 6 meses para saber se houve regressão espontânea, se continuar o exame alterado, encaminhar para a colposcopia. Em resultados de NIC II e III recomenda-se o encaminhamento para confirmação histopatológica de que não há invasão do tecido conjuntivo.

Efeito citopatológico compatível com HPV
O exame citopatológico não diagnostica HPV e nem seu tipo, mas existem alterações celulares que sugerem a presença do vírus, como células paraceratóticas, escamas anucleadas, coilocitose, cariorrexis ou núcleos hipertróficos com cromatina grosseira.
Neste caso recomenda-se repetir o exame citopatológico após de 6 meses.

Atipias e significado indeterminado:
ASCUS - taipais em células escamosas
AGUS - taipais em células glandulares
Recomenda-se a repetição do exame citopatológico após 6 meses.

Carcinoma e adenocarcinoma
Ocorrem quando as alterações celulares se tornam mais intensas e o grau de desarranjo é grande que as células invadem o tecido conjuntivo do colo do útero abaixo do epitélio. O exame histopatológico irá determinar o grau da invasão e o tratamento.


Os exames com resultados dentro dos limites da normalidade recomenda-se um novo exame seja realizado pelo menos a cada 3 anos.


Colposcopia
- visibilização do dolo do útero através de colposcópio, após a aplicação de ácido acético 3 - 5% e lugol
- serve para avaliar os epitélios do trato genital inferior e orientar biopsia e cirurgia de alta frequencia


Cirurgia de alta frequência

- procedimento que utiliza bisturí elétrico de alta freqüência para retirada de uma lesão
- o bisturi corta e faz hemostasia do leito cirúrgico sem causar dano ao tecido removido- objetivo deste tratamento é retirar totalmente a lesão intraepitelial, promovendo o controle local da doença e a mutilação mínima
- realizada no ambulatório
- tem como vantagem a possibilidade de utilização do fragmento para estudo histopatológico e afastar a possibilidade de invasão do estroma.



Referência
Ministério da Saúde. Prevenção do Câncer do colo do Útero. Manual técnico/ Profissiona de saúde. Brasília, 2002.

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